Data: 08/02/2021 - Professora: Fabiana Rodrigues - Disciplina: Língua Portuguesa - Conteúdo: Produção de texto.


Na aula do dia 08-02 vimos sobre resenha crítica. Assista agora a um vídeo para explanar mais o conteúdo em questão. 

https://youtu.be/pYbo5J_GTws

Nós agora estudaremos uma resenha crítica do livro " Os Miseráveis", que será um livro trabalhado durante o ano de 2021.


1. O TÍTULO
RESENHA DO FILME “OS MISERÁVEIS”
Gabriela Galdino da Costa*

2. REFERÊNCIA DA OBRA EM ANÁLISE
OS MISERÁVEIS. Roteiro de Victor Hugo adaptado por Rafael Yglesias, direção de Bille August, produção de James Gorman e Sarah Radclyff. EUA: 1998. 1 DVD (131 min); Filme-vídeo; NTSC, son., color., Legendado. Port.

3. APRESENTAÇÃO DO AUTOR
Nascido em 1802, o francês Victor-Marie Hugo foi um ativo
defensor dos direitos humanos na França. Sua infância passou-se em meio a importantes eventos históricos, entre eles, a ascensão do império napoleônico, de maneira que a divergência das forças políticas que lutavam pela supremacia francesa era refletida na oposição de ideais políticos e religiosos de sua própria família. O pai, oficial de posição respeitada no exército de Napoleão, mostrava-se ferrenho defensor do imperador, por outro lado, a mãe era uma
católica radical, defensora da Casa Real. As primeiras obras do autor emitem uma devoção ao rei e à fé. Somente após os eventos que culminaram na Revolução de 1848, ele passou a questionar sua educação católica e monarquista, dedicando-se a exaltar o republicanismo e o livre pensamento.

4. BREVE SÍNTESE DA OBRA
    Segundo a versão de 1998, ao cumprir 19 anos de trabalhos forçados nas galés por ter furtado comida, Jean Valjean (Liam Neeson) sai da prisão levando consigo um novo documento de identificação. Este carregava, na cor e na mensagem escrita, a notável intenção de mostrar para a sociedade que ali havia um homem temível. Em busca de abrigo e comida, o protagonista é ajudado por um bispo que lhe dá alimento e o recebe em sua própria residência. Contudo, externando rancor e ódio da lei, da sociedade, do sistema e, por conseguinte, da humanidade, Valjean leva a prataria da casa e agride seu protetor. Capturado pela polícia, alega ter sido presenteado pelo bispo, que, inesperadamente, confirma a falsa história. A benfeitoria do clérigo é vista como uma nova oportunidade para o galé, que volta a crer na bondade humana e promete “tornar-se um novo homem”.
    Anos depois, sob nova identidade, torna-se dono de uma fábrica de tecidos e prefeito, assim, sua vida segue
pacata, até que o inspetor Javert (Geoffrey Rush) – antigo guarda da prisão, seguidor obsessivo e inflexível da lei
– suspeita que o prefeito seja, na verdade, um ex-prisioneiro. Surge, então, a personagem Fantine (Uma Thurman),
uma das empregadas da fábrica de Valjean, que, após perder o emprego e tendo que manter uma filha, cuidada à
distância por terceiros, passa a se prostituir e acaba sendo presa. Valendo-se da lei que lhe garante autoridade, Jean a liberta e a acolhe em sua casa.
    Adiante, a fim de livrar um acusado que seria preso em seu lugar, Jean Valjean, sente-se obrigado a revelar sua identidade, feito isso, Javert passa a persegui-lo incansavelmente. Nesse meio tempo, Fantine morre, e sua
filha, Cosette (Claire Danes), é resgatada e cuidada por Valjean, que foge e esconde-se de seu algoz durante anos.
Ao longo da obra, Valjean tem mais de uma oportunidade de matar o inspetor e não o faz, por fim, o próprio Javert comete suicídio, tomado por uma confusão mental, visto que, embora acreditasse intimamente que o exprisioneiro merecesse a liberdade, sentia-se na obrigação de cumprir a lei a qualquer custo.

5. REFLEXÕES CRÍTICAS
[...]Acerca dos personagens do filme, entende-se que os protagonistas se enquadram todos como vítimas, daí
o título autoexplicativo da obra, que apresenta várias faces da miséria humana, seja a miséria propriamente dita,
referente à pobreza (miséria material), seja a miséria de valores sociais e de humanidade (miséria espiritual).
Valjean, Fantine e Cosette surgem como vítimas de uma sociedade atroz, da desigualdade e do sistema opressor.
Já o policial Javert, sob a égide inexorável de seus princípios, figura como vítima da limitação a ideais que o
prendem ao cumprimento da lei, ainda que esta se mostre contrária ao seu senso de justiça – justamente por isso,
sufocado pelas consequências emocionais de seus atos, comete suicídio.
    A história do filme possui aspectos atemporais, despertando questões a respeito do sistema penal aplicado, hoje, no Brasil, por exemplo. Na época em que se passa a obra, o réu não era sujeito, mas objeto da ação, tanto que o prisioneiro recebia um número de identificação para substituir o seu nome. O objetivo era anular a identidade do homem, enquanto cumpria pena, e sua dignidade, quando voltava a ser “livre”.
    Além do mais, não havia preocupação, nem por parte do sistema prisional, nem por interesse público, em
reinserir o preso na sociedade. Pelo contrário: ao sair da prisão, adquiria um documento informando que se tratava
de um homem perigoso, logo, dificilmente conseguiria emprego e se conseguisse, receberia menos do que os
demais, por ser um ex-condenado. Deixar a prisão significava receber “libertação”, mas não a restituição da
“liberdade”, visto que se continuava prisioneiro da mácula da condenação.
    No filme, nota-se ainda que o protagonista desenvolve, durante o tempo em que ficou preso, uma personalidade
agressiva, fundamentada no rancor, no ódio à lei e à sociedade e na descrença em existência de bondade humana.
    Dessa forma, após 19 anos de prisão, o inofensivo jovem, preso por furtar pães, tornara-se, de fato, um homem
temível. [...]
[...] Em “Os Miseráveis”, a boa ação do bispo provoca em Jean um processo de “reumanização”, deixando
clara a ideia de que o homem pode mostrar-se bom e virtuoso, quando a sociedade deixa de lhe vedar
oportunidades.
    Diante do exposto, as condições sociais presentes no filme assemelham-se muito às encontradas, hoje, no Brasil. De fato, eram outros tempos, mas o desequilíbrio ainda segue o mesmo. Retornando à questão sobre “quem são os presos brasileiros?”, notavelmente, os presídios nacionais são lotados, em sua maioria, por jovens negros, pobres e semialfabetizados – muitos dos quais são mantidos presos por meses, e até anos, devido a crimes pouco ofensivos, alguns, inclusive, por furto famélico, à semelhança do caso de Valjean. 


ATIVIDADES
1. Explique, com suas próprias palavras, o que você entendeu sobre resenha crítica.

2. Em se tratando de termos estruturais de uma resenha crítica, mesmo sabendo que o gênero possui uma
estrutura livre, faz-se necessário o destaque de alguns elementos, quais?

3. Qual é o objetivo e função social da resenha crítica?

4. Diferencie resenha crítica de resenha descritiva.

5. Sobre a resenha crítica é incorreto afirmar que:
a) ( ) é texto que avalia uma manifestação cultural, filme, peça de teatro, show, exposição, com o objetivo de
orientar o leitor.
b) ( ) a função social desse texto é comentar e avaliar obras e espetáculos para que o leitor possa ter informações
e avaliações.
c) ( ) o gênero circula em diferentes veículos de comunicação tais como jornais, revistas, blogs, vlogs e pode
estar voltada a diferentes públicos.
d) ( ) ao explorar tal gênero na escola, inibe-se a capacidade argumentativa do estudante, bem como de
apreciações e posicionamentos diante desses textos.

6. No que diz respeito ao filme Os miseráveis, julgue os itens como corretos (C) ou errados (E).
a) ( ) Segundo a versão de 1998, ao cumprir 19 anos de trabalhos forçados nas galés por ter furtado comida,
Jean Valjean (Liam Neeson) sai da prisão levando consigo um novo documento de identificação que o
caracteriza como um homem completamente livre.
b) ( ) A benfeitoria do clérigo é vista como uma nova oportunidade para Jean Valjean (Liam Neeson), que volta
a crer na bondade humana e promete “tornar-se um novo homem”.
c) ( ) A sociedade francesa enfrentou diversas dificuldades econômicas e calamidades: a instabilidade política,
unida à “má industrialização”, a fome, a miséria, o alto índice de criminalidade, o desemprego, a prostituição,
a crise econômica e social, porém nenhum desses problemas sociais são discutidos no filme.
d) ( ) “Os Miseráveis” aborda criticamente o sofrimento de boa parte da população francesa, ao longo do
século XIX, exibindo a miséria e os antagonismos políticos do período.

BOM TRABALHO!!!

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